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INTRODUÇÃO
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Síntese geográfica
A República de Angola é, na África sub-sahariana, o quinto
país de maior dimensão, com uma área de cerca de 1.246.700
quilómetros quadrados e com uma linha marinha atlântica
de cerca de 1.650 quilómetros. A sua fronteira terrestre
é de 4.837 quilómetros. O comprimento máximo no sentido
Norte-Sul é de 1.277 quilómetros e a largura máxima, no
sentido Este-oeste, é de 1.236 quilómetros, dando, portanto,
ao país uma configuração geométrica equivalente a um quadrado.
O território da República de Angola fica situado na costa
ocidental da África Austral, a Sul do Equador, sendo limitado
a Norte, pela República do Congo, a Oriente pela República
Democrática do Congo e pela Zâmbia, a Sul pela Namíbia e
a Ocidente pelo Oceano Atlântico, abrangendo ainda o enclave
de Cabinda, situado a Norte, entre o Congo e a República
Democrática do Congo.
Angola é constituída, principalmente, por um maciço de terras
altas, limitado por uma estreita faixa de terra baixa cuja
altura varia entre os 0 e os 200 metros. Acima dos 200 metros
encontram-se as montanhas e os planaltos (sendo o Planalto
Central o mais importante dum ponto de vista económico).
A região planáltica é a que ocupa a maior extensão territorial
do país. A maior altitude é a do Morro do Môco, na província
do Huambo, e atinge aproximadamente 2.620 metros.
Em Angola mais de 50% dos solos sofrem de processos constantes
ou periódicos de erosão provocados pelas chuvas e pelas
incidências solares. Os solos mais férteis encontram-se
junto aos rios, onde se concentram os aluviões por eles
transportados e que, em geral, são ricos em elementos minerais
e compostos orgânicos. Consequentemente, a possibilidade
de rega é maior e menos dispendiosa. Nas regiões mais secas,
de clima desértico, o solo é pouco fértil.
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Divisão administrativa
A República de Angola tornou-se numa nação independente
em 11 de Novembro de 1975, após mais de 500 anos de colonização
portuguesa. A sua lei fundamental data de 1975 - Lei Constitucional
- e tem vindo a sofrer algumas alterações devidas à implementação
do sistema democrático e pluripartidário, da ampliação do
reconhecimento das garantias, dos direitos e das liberdades
fundamentais dos cidadãos e dos princípios basilares da
economia de mercado, estando prevista uma segunda revisão
para o tratamento de matérias constitucionalmente dignas
e importantes referentes à organização de um Estado democrático
e de direito.
A Constituição declara como objectivo fundamental a construção
de uma sociedade livre e democrática e que garanta os direitos
e liberdades fundamentais do homem, que garanta a liberdade
de expressão e o direito de assembleia e associação, que
respeite a liberdade de culto e, por fim, que permita a
posse e a protecção da propriedade privada.
A soberania reside no povo que exerce o poder político através
de sufrágio universal periódico, de forma democrática, a
partir dos 18 anos de idade. As últimas eleições legislativas
e presidenciais foram realizadas em Setembro de 1992.
São órgãos de soberania o Presidente da República, a Assembleia
Nacional, o Governo e os Tribunais.
O Presidente da República é o Chefe de Estado e o Comandante
em Chefe das Forças Armadas. O seu mandato é de cinco anos,
podendo ser reeleito para mais dois mandatos. O Governo
da República de Angola está constituído em Governo de Unidade
e Reconciliação Nacional (GURN), integrando representantes
dos partidos políticos com assento na Assembleia Nacional.
Clima
A latitude da República de Angola (Sul do Equador, entre
os paralelos 4º 22' e 18º 02') determina, em termos gerais,
um clima entre o árido ou dos desertos e o temperado quente
com seca quase invernal. O seu tipo de relevo, dominado
por planaltos e ainda os efeitos da corrente oceânica fria
de Benguela bem como o factor de continentalidade, resultam
numa importante diversidade climática.
O clima é tropical ao Norte e subtropical ao Sul, sendo
temperado nas zonas de maior altitude. Há duas estações
distintas: uma quente e húmida, e com níveis de pluviosidade
bastante elevados, e outra mais fria e seca, denominada
cacimbo.
Esta diversidade climatérica traduz-se em sequências bioclimáticas
que vão desde as comunidades estépicas da faixa desértica
do Sudoeste até as savanas ou florestas densas húmidas dos
climas super húmidos de altitude. Naturalmente, um clima
diverso origina tipos de vegetação diversos.
O país possui imensos solos férteis e abundantes recursos
naturais, o que lhe confere um grande potencial para o desenvolvimento
económico, reforçado pelos seus gigantescos jazigos de petróleo,
de diamantes, as grandes reservas hidroeléctricas, os vastos
recursos marítimos e as enormes parcelas de terras aráveis.
Os recursos florestais também são vastos, assim como os
de exploração silvícola. As florestas naturais angolanas
são preciosas reservas de madeira, estando presentes nos
maciços dos Dembos e Maiombe madeiras nobres tais como o
mogno africano, nas matas a Leste de Angola estão presentes
espécies madeireiras de valor comercial. Para além das zonas
secas de exploração tradicional do Sul e do Sudoeste, a
bovinicultura expandiu-se até as superfícies planálticas
húmidas das regiões central e setentrional do território,
devido a medidas de saneamento e técnicas de maneio apuradas,
além da excelente adaptação de diversas raças de bovinos.
Em razão da diversidade do clima, da altitude e do tipo
de solo, as várias províncias angolanas têm potencialidades
agrárias diversas.
A fronteira marítima com 1.650 quilómetros e a altitude
média determinam a existência de duas grandes regiões climáticas:
uma zona litoral, com clima tropical seco a Norte e desértico
a Sul, engloba uma faixa litoral influenciada pela corrente
fria de Benguela, com precipitações anuais que variam entre
os 50mm (Namibe) e os 800mm em Cabinda, uma humidade relativa
superior a 30% e temperatura média anual superior a 23º
C. Uma outra região do interior subdivide-se em três zonas:
(a) uma de clima tropical húmido e que abrange a zona interior
e o Nordeste, com precipitações abundantes e temperaturas
elevadas;
(b) outra de clima tropical modificado pela altitude e que
abarca as regiões altas do Planalto Central, com temperaturas
médias anuais inferiores a 19º C;
(c) uma última zona de clima semiárido no Sudeste do país,
com uma pluviosidade média entre os 500mm e os 800mm por
ano e temperaturas baixas durante o período nocturno da
estação seca.
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| Foto:
Sérgio Guerra |
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Hidrografia
A configuração hidrográfica de Angola tem uma estreita ligação
com o seu relevo uma vez que os rios têm como origem as
zonas planáltica e montanhosa seguindo depois para as regiões
de mais baixo-relevo. Os seus leitos são, na sua maioria,
irregulares não faltando os rápidos e as inclinações, alargando-se
nas zonas costeiras. Existem quatro vertentes de escoamento
das águas:
(a) a vertente atlântica, com os rios Chiluango, Zaire ou
Congo, o rio Bengo, Kwanza ou Cuanza, o rio Queve ou Cuvo,
o Catumbela e o rio Cunene;
(b) a vertente do Zaire, no norte de Angola, com os rios
Cuango, Cassai, e seus afluentes, Cuilo, Cambo, Lui, Tchicapa
e Luachimo;
(c) a vertente do Zambeze, à qual pertencem os rios do Leste
de Angola tais como os afluentes do Zambeze, o Luena, Lungué-Bungo
e o Cuando;
(d) e, por fim, a vertente do Kalahari, com muitos rios
de regime intermitente de onde se destacam os rios Cubango
e os afluentes Cuchi e o Cuito.
O maior e o mais navegável rio de Angola é o Kwanza, com
cerca de 1.000 quilómetros de extensão e cujo afluente,
o Lucala, forma as célebres quedas de Kalandula, de impressionante
beleza e com mais de 100 metros de altura.
SOCIEDADE
População
Desde 1970 que não é realizado um censo geral da população.
Nesse ano o país tinha cerca de 5,673 milhões de indivíduos,
correspondendo a uma densidade global de 4,55 habitantes
por quilómetro quadrado. Em 2000 e de acordo com as estimativas
disponíveis, Angola provavelmente apresentou um universo
populacional de 14,602 milhões de indivíduos, o que equivale
a uma densidade média global de 11,71 habitantes por quilómetro
quadrado.
Foram, ainda, registados em 2000 cerca de 3,830 milhões
de deslocados e mais de 300 mil refugiados em países vizinhos.
A população angolana é essencialmente jovem, representando
a população até 13 anos de idade, em média entre 1995 e
2000, 43,1% da população total. Por outro lado, a população
até aos 17 anos de idade tem um peso médio aproximado de
52,1% no mesmo período de tempo.
A população em idade activa representou em média, no decénio,
um pouco mais de 51% da população total e o peso da população
pré-activa (idades compreendidas entre os 6 e os 13 anos)
rondou os 21,7%. Ainda que a longo prazo estes pré-activos
sejam uma força potencial para o desenvolvimento, a curto
prazo podem simbolizar dificuldades acrescidas em termos
de despesas e encargos sociais diversos que a sua manutenção
acarreta.
As taxas de crescimento demográfico, as médias e as anuais,
são relativamente elevadas, indiciando que a população angolana
ainda se encontra numa fase ascendente de transição demográfica.
Este elevado ritmo de crescimento da população pode resultar
da conjugação das elevadas taxas de fertilidade com a relativa
regressão nas taxas gerais de mortalidade.
Dum ponto de vista absoluto as províncias mais populosas
são as de Luanda (resultado do processo de deslocação das
populações que se iniciou praticamente a seguir à independência
nacional), do Huambo, do Bié, de Malange e do Uíge.
Culturas e etnias
A população de Angola, a sua distribuição geográfica e a
taxa de variação anual não são conhecidas com precisão,
devido à não realização de recenseamentos desde 1970.
O português falado por um número crescente de angolanos
é a língua oficial do país, sendo já entendido por consideráveis
faixas urbanas da população, localizadas sobretudo ao longo
do litoral, com menos de 40 anos, como a sua língua materna.
Do ponto de vista da sua composição etnolinguística, o povo
angolano é integrado maioritariamente pelos seguintes grupos:
Ovimbundu (língua Umbundu); Ambundu ou Akwambundu (língua
Kimbundu); Bakongo (língua Kikongo); Lunda-Cokwe (língua
Cokwe); Nganguela (designação genérica de povos no quadrante
sudeste, sendo mais útil identificar os vários subgrupos);
Nyaneka-Humbe (ou Nkhumbi), na realidade dois povos diferentes
(línguas Lunyaneka e Lukhumbi); Ovambo (a língua principal
em Angola é a dos Kwanyama, um subgrupo); Helelo ou Herero
(língua Tjihelelo).
Todos estes são grupos Bantu. Os Ambundu, Ovimbundu e Bakongo
juntos representam (usando os dados dos Censos de 1960 e
1970 como referência) cerca de 75% da população. Há uma
pequena minoria de povos autóctones da região, não-Bantu,
com destaque para os Kung ("Bosquímanos"), caçadores-colectores
descendentes dos mais antigos habitantes desta região austral.
Em consequência da colonização, existe também um pequeno
número de angolanos de origem europeia.
MACROECONOMIA
Caracterização Geral
Ao longo da década de 90, apesar duma evolução muito reduzida,
o Produto Interno Bruto ainda assim cresceu a uma taxa média
anual de cerca de 0,3%. Em 2000, o PIB de Angola foi de
8.869 milhões de dólares norte-americanos. O PIB médio por
habitante foi de 602 dólares e a sua taxa de variação média
anual foi de - 3,33%, certamente influenciada pelas altas
taxas de crescimento demográfico registadas na década.
Já as exportações médias anuais atingiram uma cifra de 4.388
milhões de dólares, a que correspondeu uma taxa média de
variação de 8,94% ao ano. O ano de 2000 corresponde ao de
maior valor das exportações nacionais de toda a década -
8.114 milhões de dólares.
As importações médias na década assumiram um valor de 5.545,5
milhões de dólares, ou seja, 26,4% em média acima das exportações.
As importações em 2000 foram de 7.476,8 milhões, valor inferior
ao das exportações.
O comportamento da balança de transacções correntes foi
sempre deficitário ao longo da década, com uma única excepção
em 2000, ano em que se registou o seu primeiro saldo positivo.
Esta aparente inversão da tendência registada nos anos anteriores
deveu-se, circunstancialmente, ao aumento de 56% no preço
internacional do petróleo entre 1999 e 2000.
O défice orçamental apresentou na década de 90 uma nítida
tendência de redução, abertamente traduzida na taxa média
de variação de -13,4%. O ano de 1995 é o que demarca o seu
comportamento, tendo o saldo orçamental evoluído de -28,7%
nesse ano para -1,9% em 2000, traduzindo os efeitos positivos
de algumas reformas macroeconómicas e institucionais;
Embora menos evidente, o comportamento da inflação não deixa
de apresentar uma tendência positiva de redução da sua dinâmica
de variação: os níveis de hiperinflação registados em 1993,
1994, 1995 e 1996 - responsáveis pelo valor da inflação
média anual da década de cerca de 977,5% - foram definitivamente
abandonados.
A política cambial foi uma das que registou melhores resultados
na década de 90, tendo-se passado dum diferencial entre
as taxas paralela e oficial de 1.298% em 1991 para 5,11%
em 2000, valor que corresponde praticamente a uma estabilização
deste mercado.
Estrutura económica e dinâmicas de crescimento
A economia angolana apresenta assimetrias sectoriais muito
graves e que se traduziram num notável crescimento da economia
petrolífera e numa praticamente estagnação dos restantes
sectores de actividade económica, dos quais, no entanto,
depende, em termos de emprego e rendimentos, a grande maioria
da população.
O peso da economia petrolífera é significativo: 41% em média
na década de 90 e cerca de 62% em 2000. O sector do comércio
e serviços é o segundo mais importante na estrutura económica
do país, com 13,7% em média nos anos 90 e 20,7% em 1998.
Os sectores da agricultura, silvicultura, pecuária e pesca
não chegam a deter, em conjunto, 10% do PIB: na década a
sua representatividade média foi de apenas 9,4%.
A actividade diamantífera mostrou possuir dinâmicas importantes
de participação: de cerca de 1,4% em 1991, o seu peso no
PIB subiu para 7,9% em 2000. Já a indústria transformadora
tem visto a sua importância relativa diminuir ao longo do
período: 4,75% em média e apenas 2,9% em 2000. Idêntico
comportamento se registou em relação à construção. Os aspectos
mais salientes, para além do ritmo constante de variação
do PIB da economia petrolífera - apenas perturbado pelo
descalabro social pós-eleitoral de 1992 - são a regressão
da actividade agrícola (uma das mais afectadas pela guerra
e pelas deslocações da população) e os crescimentos da energia
e água e do comércio e outros serviços.
Investimentos
O investimento directo estrangeiro - sobretudo petróleo
e ultimamente também diamantes - se comportou durante a
década de 90 dum modo muito dinâmico, com taxas de crescimento
médio de 16,5% para o investimento bruto e de 3,16% para
o investimento líquido. Constata-se, ainda, que o peso do
investimento directo estrangeiro no PIB é muito elevado
- mais de 10% em média no período.
ECONOMIA SECTORIAL
As potencialidades económicas de Angola
Angola dispõe de inúmeros recursos em diferentes sectores
de actividade: na agricultura (cereais, raízes e tubérculos,
leguminosas, horto-frutícolas, oleaginosas, citrinos e culturais
industriais tais como café, algodão e cana-de-açúcar); na
pecuária (bovinicultura de carne e de leite, ovinos e caprinos);
nas pescas (peixes, crustáceos e moluscos); nos minérios
(diamantes, chumbo, urânio, quartzo, asfalto, ferro, mica,
manganês, granito negro, zinco e mármores); na silvicultura
(madeira); e na energia hidroeléctrica.
Relativamente aos recursos humanos deve, do mesmo modo,
ser enfatizado que o país dispõe de algumas potencialidades,
segundo o Relatório sobre o Desenvolvimento Humano no Mundo
de 2001:
* População economicamente activa - 7.604.000
* População potencialmente empregável - 5.542.000
* Taxa de analfabetismo dos adultos - 58%
* Taxa de escolarização primária - 34,7%
* Taxa de escolarização do secundário - 31,2%
* Taxa de escolarização universitária - 9,1%
* Taxa de escolarização bruta combinada - 23%
* Esperança de vida à nascença - 45
* Índice de desenvolvimento humano - 0,422
Sector do Petróleo
A década de 90 pode ser considerada como a das grandes descobertas
petrolíferas, que permitiram a ascensão do País ao grupo
dos maiores produtores ao Sul do Sahara do continente africano,
porquanto foram descobertos gigantescos poços como o Girassol,
Dália, Rosa, Lírio, Tulipa, Orquídea, Cravo, Camélia, Jasmim
e Perpétua no Bloco 17, cujas reservas estão estimadas em
cerca de 2,5 biliões de barris. No mesmo período foram descobertos
os poços Sexi, Mondo, Chocalho, Xicomba, Hungo, Kissanje,
Marimba, Dikanza, Batuque, M´Bulumbumba, Vicongo e Mavacola
no Bloco 15, com reservas estimadas em cerca de 3,5 biliões
de barris.
Em 2000 a produção média de petróleo foi da ordem dos 749
mil barris diários e as exportações foram de 702 mil barris
em 2000. Da produção e exportação de produtos refinados,
destacam-se o Jet A1, Gasóleo, Gasolina, Nafta, Fuel Oil
e LPG.
Sector dos diamantes
As potencialidades em recursos minerais, nomeadamente em
quartzo, mármore, granito, rochas ornamentais, ferro, manganês,
diamantes e ouro, tornam o subsolo angolano consideravelmente
rico.
A exploração de diamantes representou 99% da exploração
mineira do País e constituiu a primeira prioridade. Em 2000,
a produção diamantífera foi de 4.348.868 quilates.
Agricultura e pecuária
Durante o período colonial, Angola era um país auto-suficiente
em todas as principais culturas alimentares, com excepção
do trigo. Na actualidade a produção agrícola se circunscreve
a um número limitado de produtos, como alguns cereais, como
o milho, arroz e massango/massambala, algumas raízes e tubérculos
(mandioca, batata-doce e batata rena e leguminosas (amendoim
e feijão, principalmente).
Das produções de origem agrícola, a mandioca e o milho foram
as que atingiram, na década de 90, níveis mais altos, seguidas
das do feijão, do massango, da massambala e da batata-doce.
Os níveis de produção agrícola são bastante baixos em Angola,
com um impacto perverso na situação nutricional da população,
principalmente a deslocada.
A produção de culturas industriais, como o café e o algodão,
tem sido afectada consideravelmente pelo abandono das áreas
de cultivo, condicionando como é evidente o tratamento por
elas exigido. Para esta situação contribuiu essencialmente
a guerra que provocou insegurança nas áreas tradicionais
das culturas e a destruição das infra-estruturas.
Pescas
Dotada de consideráveis recursos haliêuticos, a costa angolana
é explorada tendo-se em conta o objectivo da racionalidade
e preservação dos recursos nos limites de sustentabilidade
biológica, através da emissão de licenças de pesca.
A produção de pescado medido pelos níveis de capturas está
concentrada na Zona Centro, com as províncias de Benguela
e Kwanza-Sul a contribuírem com cerca de 29 %, seguida da
Zona Sul, com o Namibe a contribuir com cerca de 28 % e
por último a Zona Norte, através das províncias de Cabinda,
Bengo, Zaire e Luanda, com uma contribuição de 25 %.
Indústria Transformadora
Os subsectores que demonstraram tendências de crescimento
bastante mais dinâmicas na década de 90 foram os da alimentação,
através das produções de pasta de fígado, óleo alimentar,
farinhas de milho e de trigo, pão e sal comum, das bebidas
- cerveja, refrigerantes e vinhos de mesa, dos minerais
não metálicos - vidro em obra, cimento e clinquer, do tabaco,
dos têxteis e dos produtos de meta.
A produção do sector está concentrada nos subsectores da
alimentação, bebidas e metais comuns. Em média o sector
cresceu cerca de 11% na década passada.
Energia e Águas
Por Angola passam bastantes rios com consideráveis caudais,
que lhe conferem um potencial hidroeléctrico enorme. Contudo,
o sistema de produção e transporte de energia foi ao longo
dos anos bastante afectado pela guerra. A produção de energia
eléctrica no período de 1991 a 2000 foi assegurada por centrais
hídricas e térmicas. Em 2000, a produção total de energia
eléctrica foi de 1.426,04 GWh, sendo 64,12% de origem hídrica
e 35,88%, térmica.
Transportes
A produção do sector dos Transportes medido pelo indicador
carga é assegurada predominantemente pelo modo marítimo
que absorve 44% do total, seguido do rodoviário com cerca
de 39% e do modo aéreo com 9%.
No que concerne aos passageiros, o modo rodoviário absorve
cerca de 87% da transportação, seguido do modo ferroviário
com cerca de 8,5%.
Telecomunicações
O sector durante o decénio passado optou por desenvolver
acções que concorressem para a expansão e modernização dos
serviços, através da introdução do sistema digital nas áreas
urbanas e periféricas de Luanda e da telefonia móvel.
No quadro da busca de parcerias com o propósito de acelerar
a desmonopolização, expansão e melhorias dos serviços de
telefonia, correios e postais foram autorizados agentes
privados.
Turismo
Com a paz garantida, este é um dos sectores de grande potencialidade
para o desenvolvimento económico de Angola. O aumento da
oferta de quartos e de camas verificou-se em 1997 e 1999
em consequência da entrada em funcionamento de novas unidades
hoteleiras e a ampliação de algumas existentes.
A actividade turística durante os anos 90 deveu-se fundamentalmente
à grande procura de turistas com proveniência da Europa,
seguida da África e América.
INCENTIVOS À ACTIVIDADE EMPRESARIAL
Incentivos ao investimento estrangeiro
(Lei n.º 15/94 - do Investimento Estrangeiro)
Pretende-se com essa lei tornar o cenário jurídico - legal
angolano o mais atractivo possível para os potenciais investidores,
mantendo-se presente, todavia, a salvaguarda dos interesses
essenciais do Estado.
Ao investidor estrangeiro em Angola é garantido o direito
de transferir para o exterior, nos termos da legislação
cambial, e depois de deduzidas as amortizações legais e
os impostos devidos: os dividendos ou lucros atribuídos;
o produto da liquidação dos seus investimentos, incluindo
a mais valia; bem como quaisquer importâncias que lhe sejam
devidas.
As empresas constituídas no âmbito do investimento estrangeiro
podem recorrer ao crédito interno e externo, usufruem de
benefícios fiscais, quando o investimento é realizado sob
o regime contratual, e gozam do estatuto de empresas de
direito angolano, sendo-lhes aplicável legislação especial
apenas naquilo que as beneficie.
É assegurado aos investidores estrangeiros um tratamento
justo, não discriminatório e equitativo, bem como o pagamento
de uma indemnização justa, pronta e efectiva, no caso excepcional
do "quid" do investimento ser expropriado ou nacionalizado
pelo Estado, por motivos ponderosos de interesse público.
Como garantia adicional, os investidores estrangeiros podem
socorrer-se dos mecanismos postos ao seu dispor pela MIGA
- The Multilateral Investment Guarantee Agency, da qual
Angola é membro, para assegurar o investimento.
Por último, as empresas de investidores estrangeiros ligadas
ao sector produtivo, depois de se constituírem segundo a
lei angolana e se classificadas como Médias, podem beneficiar
do Regime Geral de incentivos fiscais e financeiros ao investimento
produtivo contemplado no Decreto n.º 73/97 de 24 de Outubro.
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